Não Cartas (351-375)

(362) Renato Laclette

Assunto: Não à guerra

Data: 31 de março de 2003

A página de repúdio a essa guerra maluca está muito boa. Parabéns à moçada! O velho Laclette continua pasmo como um cidadão bagdadense ou basrense cada bomba que cai me lembra também Guernica o primeiro trabalho pictórico que ousei reproduzir. Os "inventores" dessa ação militar certamente não batem bem da bola. Ocidente protestante no meio do Islam, tô fora amigão e olha que entre meus ancestrais franceses posso certamente contar alguns protestantes. Mas nenhum tão fora do esquadro, napoleão era "fichinha" perto do bushjr ou "buchinho". Tchau gurizada saúde, beijos na galera e vamo remando que o chicote tá lascando!! rê laclê . Fuii!!

rlaclette@ig.com.br


(361) Emiliano Urbim

Assunto: PT, saudações

Data: 30 de dezembro de 2002

Estimados, Tô eu aqui de pé no chão e bermuda na sala da entrada na residência dos Urbim, brincando de Porto Alegre até o reveião chegar, quando voltarei à capital dos paulistas para cortar texto de gente famosa na Folha.

Brincar de Porto Alegre é ir no centro, encher a cara na Lima e Silva, descer a 24 em zigue-zague com o som do carro no máximo e dormir na beira da piscina ouvindo Ipanema usando de travesseiro as coxas de uma moça que enquanto tu tava fora arranjou namorado, mas, ah, namorados... Bom, e hoje sobrou tempo para ler o Não, que, contra toda a lógica embutida no que a internet é, só leio quando estou aqui.

Estando longe há quatro meses, acompanhei a eleição daqui mais ou menos como uma corrida de turfe _"Britto na frente por uma cabeça seguido de Tarso Genro e agora na curva vem por fora Rigotto que...". Números ordenais. Os textos de vocês - o de-uma-sentada do Jorge e o de caixa-de-saída do Giba - acabaram pondo um pouco de sentido no que eu li e ouvi nesse tempo todo, mas não era isso que eu queria dizer.

O xis-coração da questão (isso eu tava discutindo com amigos que também leram os textos hoje) é que vocês chegaram à conclusões que eu sempre torci que muitos petistas (e simpatizantes, mas principalmente o pessoal do partido mesmo) chegassem há muito tempo. Coisas que parecia crime se falar, com o perigo de ser tachado de burguês em mesa de bar, mas que foram minando a força do partido e levaram os verdadeiros burgueses de volta ao poder. Acho corajoso gente do respaldo de vocês exporem suas opiniões assim. Importante. Afudê mesmo.

Enfim, meu tempo em Porto Alegre é escasso e eu não vou gastá-lo escrevendo longos mails para cineastas "do sul", como dizem lá no centro. Tenho mais o que fazer. Vou, ã... ver "Senhor dos Anéis".

Até! Beijo e abraço e feliz 2003. Emiliano

eurbim@uol.com.br


(360) Patrícia Francisco

Assunto: QUASE 64% dos brasileiros vão para a praia na virada do ano?

Data: 28 de dezembro de 2002

Li tudo, quase tudo, quase todos os textos do Não 77. Percebo o quanto o “Quase” tem feito parte do que eu ando escrevendo e também, talvez, fazendo. (Quase Cinema) assim, embalsamado, ou não, querido, preso apenas por dois parênteses que podem ser deletados ou empurrados para a direita ou para a esquerda ? Norte ou Sul? Praia ou Cidade? Dois mil e dois e quase dois mil e três.

O texto sobre a vitória do Lula, sobre a derrota do Tarso, todos os textos políticos não encontraram atualidade. Renascem como um revival da eleição que foi decidida há 2 meses. Só pra lembrar. Mas para instigar a memória. Revigorar a má contagem dos votos pela falta de ética de institutos revelados por uma certa imprensa ( ! )  E novembro ? E dezembro? Transição. Ministério. Efetiva Posse.

Quase isso quase aquilo, será a contemporaneidade das artes visuais que faz eu chegar a esse tipo de entendimento ? Quase todos os brasileiros votaram em Lula, sessenta e quatro por cento. Assim, as Artes Visuais ocupam uma sala ou um espaço qualquer institucionalizado, amplo arquitetônicamente, geralmente branco e vazio, um par de parênteses na história da humanidade que se apresenta sempre como um intervalo do pensamento. Um objeto aqui, outro lá, uma linha de terra no chão, ou qualquer outra trilha que um espectador desatento gosta de dizer que não entende e interpreta errado.

É, falta pouco para o Lula presidente transitório ainda assumir.

64% dos brasileiros vão para a praia na virada do ano?

Quase, uns vão descansar, ver o mar, sair do estresse do ano da eleição, da copa do mundo, da impessoalidade, da janela aberta, dos projetos que ficam para o ano que vem, do café da manhã na cidade que é diferente , e muito, do café da manhã na praia. E outros persistem vivendo a urbanidade.

Há um silêncio nessas poucas horas que faltam. Faltam quatro dias. Ao término da eleição, tinha planejado para o final de ano, ir à Brasília, mas os planos mudaram, vou para a praia. Quase Cinemas do artista plástico Hélio Oiticica, Casi Cine, Quasi Cinéma. Pois é: “Ganhamos porque Lula mudou um pouco, está mais sábio, mais tolerante. Mas não mudou no essencial: um claro amor pelo Brasil e pelos brasileiros.” (Jorge Furtado) “Lula posou para fotografias, deu autógrafos e distribuiu beijos.” (Correio do Povo)

FIM de 2002.

Patrícia Francisco

cinemapradois@hotmail.com


(359) Cícero Justo

Assunto: HANS ATACA NOVAMENTE

Data: 26 de Dezembro de 2002

Lendo o artigo do Gerbase no Não 77 (A volta da moral Hans) onde ele denuncia "aquela moral que está sempre a favor da versão fajuta", lembrei-me de outras historinhas interessantes, todas elas de futebol, em que a dita moral também aparece. Vou contar só três, mas se precisar eu conto outras ...

1. O Clube X (não quero ferir suscetibilidades, o comentário é "em tese", no ano de 1991, foi o último colocado no campeonato brasileiro, tendo sido derrotado, no jogo final, em maio daquele ano, pelo Botafogo (placar: três a um). Com essa classificação, a liderança às avessas, o Clube X foi rebaixado para a Segunda divisão do futebol brasileiro. Normalmente, sobem da Segunda divisão para a Primeira apenas 2 times. No entanto, no ano de 1992, em que o Clube X disputou aquele campeonato, foi feita uma "readequação estrutural" (que outros chamariam de virada de mesa), e de maneira espetacular, nesse ano classificaram 12 times para a Primeira divisão. O Clube X, numa campanha histórica, heróica, dramática e sensacional, obteve classificação, chegando num honroso 11º (décimo-primeiro) lugar. Não teria nenhum Hans aparecido por aí?

2. Ainda nesse mesmo campeonato da 2a divisão de 1992, o mesmo Clube X (continuamos em tese) precisava, no último jogo, vencer seu adversário, o poderoso Operário de Campo Grande, por um placar superior a três gols. Ocorre
que o brioso Operário já estava desclassificado e sem dinheiro, e não pretendia gastar com a viagem até Porto Alegre. Nesse caso, o jogo acabaria com WO e o Clube X seria declarado vencedor por dois a zero, placar que não lhe servia. Então, a diretoria do Clube X prontificou-se a pagar as despesas de viagem e hotel do adversário! O jogo, é claro, foi vencido pelo Clube X, por seis ou sete a zero. Com isso, atingiu o 11º lugar e classificou-se para a 1a divisão, numa campanha heróica, com direito a comemorações extremadas e lágrimas de felicidade. A torcidas Xisista foi às ruas, pagou promessas, etc. E, a todas essas, o Hans deveria estar por lá, firme, aplicando sua moral tão discutida pelo Gerbase ...

3. Em 1977, um clube, coincidentemente também chamado Clube X, conseguiu finalmente vencer um campeonato local, após 8 anos de vice-campeonatos. Mas, vejam só, para chegar a isso, aconteceram alguns fatos conectados ao Hans do Gerbase, que mereceriam comentário.  Na decisão de um turno do campeonato, o Clube X vencia por dois a um quando um atacante de seu adversário foi derrubado dentro da área. O árbitro, sr. Agomar Martins, marcou pênalti. Logo a seguir, porém, foi "convencido" por um zagueiro do Clube X, e acabou marcando o "pênalti" fora da área ... O jogo acabou dois a um, o que deu ao Clube X a conquista de um turno e a vantagem na decisão do campeonato. O empate teria invertido a vantagem  e o árbitro do jogo, até então famoso pela coragem, nunca mais apitou uma partida. Mas não acaba aí. Na decisão do campeonato, favorecido pela vantagem obtida, o Clube X seria campeão com uma vitória na primeira partida. Caso contrário, a decisão iria para a casa de seu adversário. O Clube X vencia a partida, quando, faltando cerca de dez minutos para o final, sua torcida invadiu o campo e o jogo foi encerrado. E, pasmem, ficou por isso mesmo! O Clube X foi declarado campeão nos tribunais esportivos, esses mesmos que o Gerbase denuncia tão duramente como praticantes da moral Hans ...

Agora, fica a pergunta: não teria o Gerbase lembrado desses fatos? Ou não acreditaria ele que nesses casos valeu a moral Hans? Sofreria ele de algum tipo de amnésia seletiva? Penso eu que a explicação é simples: substituam o Clube X por um tal de GFPA (ops! acabei falando, não é mais em tese!), para qual torce nosso herói, e entenderemos a causa de sua amnésia.

MORAL DA HISTÓRIA: O Hans dos outros é sempre mais fácil enxergar; já o nosso ...

Cícero Justo
cicjusto@portoweb.com.br
 


(358) Rodrigo Born Vieira

Assunto: A Não acabou?

Data: 29 de outubro de 2002

Saudações, amigos. Eu tenho ido com uma certa freqüência ao site http://www.nao-til.com.br, e infelizmente tenho sempre visto a chamada a NÃO 76. :o(  Também observei que não foi mais atualizada a sessão de cartas da revista eletrônica. Vocês pretendem continuar escrevendo para a NÃO? Vai sair em breve (ou não tão em breve assim) a NÃO 77? E a sessão de Cartas, vai voltar? De um leitor assíduo e ansioso, :o)

Rodrigo Born Vieira
miguerbv@yahoo.com.br


(357) Daniel Rech

Assunto: Marchezan

Data: 17 de julho de 2002

Cara, li o teu texto sobre Nelson Marchezan, só quero dizer que achei ótimo. Só tu esqueceste de mencionar que no campeonato brasileiro de 1999 o Inter terminou empatado em pontos com o Gremio e levou vantagem no saldo de gols, posteriormente eliminando-os na seletiva pra libertadores.

danielrech@nsol.com.br


(356) Marcelo Lucca

Assunto: Mais Marchezan

Data: 15 de abril de 2002

E a Zero Hora "esqueceu" de dar o merecido destaque ao cargo mais importante ocupado pelo Marchezan: Secretario Nacional de Comunicações (hoje o equivalente ao Ministério)...mas no governo Collor..... Por que esqueceram ????

mlucca@trt4.gov.br


(355) Heron Heinz

Assunto: Parabéns à dupla

Data: 20 de março de 2002

Parabéns pela dupla de beldades responsáveis pelo Não 76. Iuli querida linda, as mais belas ilustrações do bom e velho Não. Luli amada, quem corre de vermelho pelos gramados da vida desperta paixões incontroláveis...

Parabéns e beijos, HHH

hhheinz@yahoo.com

(354) Luiz Eduardo Achutti

Assunto: Alguns macacos são mais iguais

Data: 17/03/2002

Oi Furtado gostei da historia dos cinco macacos, mas depois fui lavar a louça, é quando eu penso na vida, salvo a humanidade, invento monólogos absurdos e diálogos impossíveis. Pois fiquei entre  detergente, esponja, teu texto e louças, e acabei esquecendo-me de salvar a humanidade. Resolvi então inventar mais um parágrafo, e emendar a moral da tua historia.

… Alguns macacos são mais iguais…

Lá pelas tantas os cientistas americanos tinham de dar provas de isenção e democracia, foi quando então decidiram escalar um americano para o teste. Claro que teriam marcado as cartas para o americano, ele entraria na jaula e não seria precipitado, mostraria-se mais racional do que os macacos do terceiro mundo. Mas como a tradição cultural não se constrói necessariamente com regularidade científica, o americano não foi espancado, não subindo a escada ele foi comido pelos quatro outros macacos subnutridos que não gostavam mais de bananas.

Moral da historia: cada macaco na sua jaula, ou, nem tudo que reluz são bananas.

Um abraço do Achutti.
achutti@noos.fr


(353) Patrícia Soares Viale

Assunto: Não

Data: 12 de março de 2002

Parabéns! A idéia é muito interessante e os textos estimulantes, incomuns. Chamo-me Patrícia, sou jornalista lá de São Francisco de Paula, mas no momento estou estudando alemão na Suíça. Também escrevo e arrisco-me no campo erótico com o pseudônimo Virgínia Millo. Posso mandar meus textos para vocês? Como funciona para participar do Não?

Agradeço a atenção. Patrícia Soares Viale
sven-paty@gmx.ch

NOTA DA REDAÇÃO: Para participar do Não, o caminho é entrar em contato com o próximo editor (no caso, a Luciana, lulit@terra.com.br) antes do fechamento da edição (no caso, sei lá quando, mas imagino que breve).

(352) Eduardo de Lima Pereira

Assunto: Asso no dedo

Data: 18 de Outubro de 2001

No "Dicionário Impreciso de Porto-Alegrês" encontro o verbete "asso no dedo", muito comum nas minhas Minas Gerais, o que não quer dizer que seja mineira. Mas seu uso, pelo menos entre nós, origina-se entre os pescadores das barrancas do Rio São Francisco e é ainda agora expressão típica usada entre pescadores. Quando um de nós - que pescador sou, e dos bons - diz a outro que vai pescar e trazer "o maior dourado do mundo", essoutro, só de arrelia, diz que duvida, usando exatamente o "asso no dedo", estando implícito aí que "assa no dedo aquilo que o outro garante pescar".

Creio que a orígem do churrasco é bem menos plausível, uai. Assim não crês, chê?

Fraterno abraço montanhês do
Eduardo de Lima Pereira.
lima.pereira@grupofiat.com.br

PS: O NÃO é um tremendo SIM. Parabéns.

(351) Luciano Seade

Assunto: Regras

Data: 29 de agosto de 2001

Hola! Um questionamento rápido e sem pressa de resposta: há alguma regra para escrever para o Não? Sou jornalista e sempre gostei da publicação, e só agora tenho algum tempo para disponibilizar para o que realmente gosto: escrever.

Desculpe o texto prá lá de clichê, mas me pareceu bem começar uma conversa assim. Mesmo que seja Não a reposta. Abraços

Luciano Seade
musicseade@terra.com.br

Nota do editor: As regras para escrever no Não, se bem me lembro, estão no Manual de Redação.

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