OH NÃO!

Editorial de Tomás Creus

          Foi assim, ou mais ou menos assim. Eu estava na Casa de Cinema, vendo um que outro assunto irrelevante sobre "O Oitavo Selo", quando uma Voz vinda de cima me chamou.
           Suba aqui disse a Voz.
          Fui lá ver o que era. Estavam na sala o Jorge e o Giba.
           Senta eles disseram. Obedeci. O ambiente era de tensão. Passaram alguns minutos, até que finalmente o Jorge falou:
           Temos uma oferta para te fazer.
           Uma oferta que você não poderá recusar acrescentou Giba, com um olhar sinistro. Sua voz soava estranhamente parecida com a do Marlon Brando.
          Tentei fugir, mas então o vento (ou talvez tenha sido o Gerbase, escondido) fechou a porta com um estrondo. Não havia mais por onde sair.
           Tu vais ser o próximo editor do "Não" eles disseram.
           Nãão... gemi. Mas eles entenderam minha negativa como uma exaltação do nome do periódico e, acreditando que eu era um jovem idealista que certamente agüentaria as longas horas na frente do micro lutando contra os códigos de HTML, bem como as centenas de e-mails de colaboradores pedindo "por favor me publique", espalharam para todo mundo que eu seria o editor do próximo número.

          Bom, superados os traumas, aqui está ele, o "Não 64". Deu trabalho? Deu, mas também foi bom, e acho que valeu a pena. Tem ficção, tem comédia, tem aventura, tem sexo e tem romance. Ou seja, tudo para agradar. É claro, sempre vai aparecer alguém para botar defeito. Antes que isso aconteça e o meu mailbox fique repleto de queixas, portanto, vou logo dando as explicações.

          1) A divisão por "musas" ficou meio confusa, concordo. A idéia era dividir por "climas", mais do que por tema ou tipo de texto (artigo, conto, crônica, etc.), mas talvez não tenha ficado tão claro. Na verdade, desde o começo a idéia era ter um "patrono" para cada seção, a idéia de ligar com a mitologia grega veio depois. Aliás, antes eu ia utilizar os Teletubbies, mas como eles são só cinco não iam cobrir todas as seções. (Sim, e eu também sei que as musas são na verdade nove, mas é que se eu contratasse todas o cachê ia sair muito caro).

          2) Não tem tantos textos sobre política, e tem muita ficção (comparando com outros "Nões"). Foi decisão editorial, admito. Se o seu texto não está aqui, não fique triste: o Gerbase prometeu publicá-lo no seu "Não Odara" (ver aviso).

          3) No caso dos artigos, deu-se preferência aos que expusessem opiniões contrárias entre si, para dar mais margem a discussões. Assim tem um artigo "contra" e outro "a favor" da Bundas, um "contra" e outro "a favor" da guerra fiscal, etc. (Não custa lembrar que as opiniões expressas são do autor, o editor não tem nada a ver, não me metam no meio...).

          4) O "design" não está grande coisa, com exceção da página da Lenara que, você já adivinha, foi feita pela própria. Pois é, mas também não está tão ruim, né? E eu procurei usar as cores de um jeito que tivessem a ver com a matéria, mas não sei se fui feliz. Em alguns casos talvez tenha sido um pouco óbvio, sei lá.

          5) A referência aos patrocinadores, provavelmente, só será entendida por iniciados (leia-se, o pessoal da oficina literária do Assis Brasil). Ou não.

          6) E paremos por aqui, porque ninguém lê o editorial mesmo. Se você tem elogios ou sugestões, mande um e-mail para tomas@cpovo.net. E se você tem reclamações, envie-as para o Gerbase, que é o editor do próximo número. E boa leitura!